Apaixonar-se à primeira vista pelo poker é muito comum, mas nem sempre o casamento termina bem. Alguns relacionamentos “esfriam”, outros terminam com um “coração partido” ou, pior, com “um bankroll quebrado”.

Manter-se competitivo e lucrativo por mais de uma década é meta de 10 entre 10 jogadores. Paulo Santiago é daqueles que chegaram lá. Aos 33 anos, esse paulistano radicado em Curitiba, representante dos primórdios do poker online nacional, conseguiu chegar em forma ao 12º ano de carreira.

Destaque no partypoker no último mês, com a conquista do Grand Prix Brazil – torneio voltado apenas ao público brasileiro, Santiga, como é mais conhecido, conversou nesta semana com o blog do partypoker.

O campeão do GP Brazil falou de tudo um pouco; dos primórdios da carreira, de amizades fundamentais e dos desafios para se manter competitivo e motivado depois de mais de tanto tempo na ativa.

Uma carreira marcada pela versatilidade

Em 2008, quando o poker online engatinhava no Brasil, Santiga iniciou uma bem-sucedida carreira jogando principalmente eventos Sit & Go; foram três anos batendo o field e ganhando a vida em torneios de uma mesa.

Uma realidade que mudou, porém, a partir de 15 de abril de 2011, com estouro da Black Friday – como ficou conhecido o dia da proibição do poker online dos Estados Unidos.

A debandada de milhares de jogadores dos EUA impactou diretamente no ganha pão do jogador. A proibição diminuiu a quantidade de jogadores nos Sit & Gos e deixou o field ficou mais competitivo. Sem a mesma facilidade de bater os rivais nos torneios de uma mesa, Santiga decidiu migrar para os cash games de NL100 e NL200.

A decisão de mudar de ‘ramo’ deu muito certo. No cash, ele se tornou um dos melhores do mundo naquela categoria. Em menos de um ano, tinha o status de SuperNova Elite e conseguia ser lucrativo jogando cerca de 20 mil mãos por dia.

Depois de três anos de carreira nos Sit & Go, foram mais seis se destacando nas mesas cash. Mas esse ciclo também se fechou, em 2016, quando uma das salas em que atuava cancelou seu principal programa de recompensas.

O cash deixou de ser a alternativa atraente. Santiga, então, decidiu mudar…novamente. Após quase nove anos de carreira, dedicou seus esforços aos MTTs.

Estudo e bons contatos: a arte de brilhar “sozinho”

Os times de poker são um caso de sucesso no Brasil. Eles revelam e lapidam centenas talentos e, mais que isso, ajudam os jogadores a planejar o futuro e tomar decisões. Além claro, de serem uma garantia contra a variância.

Para muitos profissionais, é vantajoso – ou até mesmo necessário – estar inserido na estrutura de alguma equipe. Santiago, porém, nunca quis fazer parte de time nenhuma. E tem se dado bem, graças a uma série de fatores, com destaque para três deles:

  1. Disposição e disciplina para estudar
  2. Capacidade de fazer ajustes na sua carreira
  3. A possibilidade de discutir mãos e trocar ideias com jogadores de alto nível

Uma hora de estudo por dia

Conhecido entre os regulares por ser estudioso, Santiga se esforça para fazer jus à fama. Semanalmente, o jogador – que se define como “nerd” – dedica pelo menos uma hora por dia para a análise de mãos e pelo menos um dia inteiro apenas para estudar.

“Eu procuro estar sempre estudando, e hoje em dia temos muitas ferramentas que facilitam, o como os solvers”, diz o profissional, que define a consistência de trabalho como principal característica. “Minha motivação atualmente está em estudar coisas novas e conseguir aplicar”

Debate em alto nível dentro de casa

Se o hábito de se debruçar sobres os infindáveis desafios do poker já é, naturalmente, recompensador, Santiga consegue deixá-lo ainda mais produtivo porque – mesmo sem fazer parte de um time – tem a possibilidade de discutir dezenas de mãos todo os dias com dois dos melhores jogadores do país.

Um dos maiores grinders do Brasil, Pvigar divide QG com Santiga

Atualmente, o jogador vive em um QG – batizado Casa dos Samurais – junto com Pedro Garagnani – mais conhecido como “Pvigar” – e Victor Bergara, o“Headão”, dois dos grinders mais técnicos e bem-sucedidos do país.

“É um privilégio enorme. Conviver com eles agrega muito não só no poker, mas em qualquer assunto que conversamos. Após 12 anos vivendo de poker, a energia deles me inspira a continuar e melhorar também”.

Rodrigo e Andrey – Sem eles, nada teria acontecido

O bom relacionamento com outros craques não é coisa nova, aliás. Se hoje Headao e Pvigar são os jogadores mais próximos – pelo menos fisicamente –, ninguém teve influência maior e mais decisiva na carreira de Santiga do a dupla formada por Andrey Luís e Rodrigo Seiji.

A amizade com Andrey – que atualmente é instrutor do Flow Poker Team – começou quando os dois eram colegas no curso de Ciência da Computação, na Universidade Federal do Paraná (UFPR); já com Seiji a relação é ainda mais antiga. Os dois – que também foram colegas de faculdade – se conhecem desde 2002, quando faziam o segundo ano do ensino médio no CEFET – Centro Federal Educação Tecnológica do Paraná. Ambos foram fundamentais para Santiga escolher o poker como profissão.

“Eu costumo contar que só entrei no poker graças aos dois grandes amigos que começaram comigo”, revela. “O Andrey foi a primeira pessoa que eu conhecia que jogava online. E o Seiji foi o primeiro que arriscou largar tudo para focar só no poker. Sozinho eu nem teria considerado”.

Detalhes que fazem toda a diferença

Outro craque do poker nacional, Rodrigo Seiji é amigo de adolescência de Santiago

A história de Santiga é prova de como detalhes pode mudam o curso de uma história. Ver Seiji largar tudo, 12 anos atrás, para viver de poker foi estalo que ele precisava para buscar ele seu sonho também. Não fosse isso, provavelmente não teria arriscado ser profissional.

Os detalhes estão em toda parte. E é preciso estar atento a cada mudança. O mundo do poker online de 2008 não existe mais e, de certa maneira, o Paulo Santiago, jovem de 21 anos, que arriscou ser ganhar a vida jogando sit & gos, também não.

Como diz a música,” tudo muda o tempo todo, no mundo”. E ele parece saber disso. Por isso, está em sempre se renovando. Em 2020, aos 33 anos, a evolução vem do estudo, da vontade de melhorar e tentar coisas novas; de uma visão abrangente do jogo.

“Acredito que estudar outras modalidades ajuda a entender melhor a teoria. Amplia a visão.  Sou profissional há 12 anos, não duraria tanto jogando sempre o mesmo jogo”, diz o profissional. “O que mais me orgulho é da consistência da minha carreira. Poucas pessoas sobreviveram nesse meio por tanto tempo”.

A pior coisa que pode acontecer com um competidor é achar que está em um nível alto o suficiente e não precisa mais aprender. Esse erro, aparentemente, Santiga não vai cometer.

Confira, a seguir, a entrevista completa com o campeão do Grand Prix Brazil:

Onde você nasceu, qual é a sua idade e como chegou a ser profissional de poker?
Nasci em São Paulo, mas vim com 5 anos de idade pra Curitiba. Tenho 33 anos. Conheci o poker na faculdade brincando com amigos.

Qual é a sua formação fora do poker?
Sou Bacharel em Ciência da Computação.

Além de atuar em torneios, você também tem experiência em Cash Games e Sit & Go. De que maneira essa versatilidade ajudou no desenvolvimento do seu jogo?
Acredito que estudar outras modalidades ajuda a entender melhor a teoria. Amplia a visão.  Também é uma forma de manter a carreira mais dinâmica, sou profissional há 12 anos, não duraria tanto jogando sempre o mesmo jogo.

Você ainda joga Cash regularmente? Com que frequência e em quais mesas?
Não, ultimamente tenho me dedicado somente aos torneios.

Quando você deixou de jogar cash para focar nos torneios e qual foi o motivo da mudança de foco?
Foi quando o poker stars acabou com o Super Nova Elite.

Você é um caso de jogador bem-sucedido que fez a carreira sem fazer parte de times. Explique, por favor, o porquê dessa decisão de “caminhar sozinho”, por assim dizer.
É que na verdade nunca foi sozinho. Eu costumo contar que só entrei no poker graças aos dois grandes amigos que começaram comigo, o Andrey Luís e o Rodrigo Seiji.

Como você conheceu o Andrey Luís e o Rodrigo Seiji? De que maneira, especificamente, eles foram importantes para você?
O Seiji é meu amigo desde o segundo grau, e conhecemos o Andrey na faculdade.  Se não fosse eles juntos eu não teria seguido essa carreira. Lembro que o Andrey foi a primeira pessoa que eu conhecia que jogava online. E o Seiji foi o primeiro que arriscou largar tudo para focar só no poker. Sozinho eu nem teria considerado.

Ao longo dos anos, você sentiu alguma dificuldade por construir sua carreira por si mesmo, seja em termos de controle de bankroll ou de planejamento de futuro?
Então a gente pegou o começo do poker no Brasil, e desde sempre tive muitos amigos na comunidade. Apesar de não fazer parte de nenhum time sempre tive contato com várias pessoas do meio.

Estando há tanto tempo no meio, como você compara o mundo do poker online e comunidade do poker de hoje com aquela de 2008?
Pode ser saudosismo, mas por até por ser bem menor aquele tempo, todo mundo se conhecia, acabava ficando mais unido. Agora está tudo maior, mais profissional.

Em algum momento você já jogou para algum investidor ou fez swap para diminuir a variância?
Sim.  Dos torneios mais caros, principalmente live eu sempre vendo uma parte da ação. A variância nos torneios é pesada e isso ajuda manter uma estabilidade.

Quais os caminhos você busca para seguir evoluindo tecnicamente?
Eu procuro estar sempre estudando, e hoje em dia temos muitas ferramentas que facilitam o estudo como os solvers.

Qual é a sua rotina diária?
Durante a quarenta? Só jogo todo dia (risos). Em tempos normais tento jogar 4 dias da semana. Jogando torneios prefiro fazer sessões longas, 8 horas pelo menos. Tento fazer alguma atividade física sempre antes de jogar. Gosto andar de bicicleta.

Você convive diariamente com dois grandes jogadores – Pivigar e Headao. Como essa amizade ajuda no desenvolvimento do seu jogo?
É um privilégio enorme. Conviver com eles sempre me agrega muito não só no poker, mas em qualquer assunto que conversamos. Mas o que mais me ajuda é a paixão pelo poker que eles têm. Após 12 anos vivendo de poker, a energia deles me inspira a continuar e melhorar também.

A casa de vocês é conhecida no meio do poker como QG/Casa de “Samurais”. Quem cunhou esse termo e quando? Onde e quando surgiu essa parceria?
Pior que o nome não tem uma razão, foi meio aleatório mesmo. Estamos com a casa há 4 anos já. Surgiu num papo de bar a ideia de alugarmos uma casa juntos e acabou virando realidade. Os membros fundadores somos eu, o Rodrigo Seiji, o Pvigar e o Roberto “Tubaína” Lessa.

Curitiba vem atraindo uma grande quantidade de excelentes jogadores – nativos ou não na cidade. De que maneira, você acha que esse meio ambiente – com várias mentes brilhantes do poker – impulsiona ainda mais o nível dos jogadores que vivem na cidade?
É legal porque a barra fica mais alta.   Conviver com tantos jogadores de alto nível ao mesmo tempo motiva a melhorar e mostra que é possível.

Considerando sua trajetória desde o começo da sua carreira, o que você orgulha de ter conquistado? E, pensando no futuro, o que você imagina que pode alcançar nos próximos anos?
O que mais me orgulho é da consistência da minha carreira. Poucas pessoas sobreviveram nesse meio por tanto tempo.   Mas tenho especial carinho pelos anos como supernova elite. Minha motivação atualmente está em estudar coisas novas e conseguir aplicar.

Você mencionou que são raros jogadores com carreiras tão longevas e bem-sucedidas. Por que é tão difícil sobreviver no meio? Você já teve momentos de dificuldades?
É um jogo muito competitivo, exige muita disciplina. E para se manter no meio outras habilidades são tão importantes quanto jogar bem, como a disciplina com o bankroll e escolhas sobre o que jogar. Já tive anos muito ruins, em que você repensa tudo. O importante é manter a dedicação e o trabalho.

Você pode dar um exemplo do que de novo você tem estudado?
Não tem muito segredo, utilizo softwares de ajuda como os solvers para tentar melhorar minhas estratégias.

Quais características do seu jogo e da sua personalidade você acredita que se destacam e ajudam no seu sucesso?
Primeiramente o fato de ser Nerd para criar o interesse pelo jogo e pelo estudo. Mas acredito que a minha principal característica é a consistência no trabalho. Sempre fui dos jogadores que mais dedicaram horas de trabalho, jogando ou estudando.

Quanto tempo por semana você passa estudando?
Na verdade, em vários momentos eu acabei jogando muito mais e estudando pouco, mas esse tempo sempre faz falta no final. Hoje em dia tenho tentado dedicar ao menos uma hora todo dia para estudos, e um dia só para estudos por semana.

Como jogador, qual sua visão do partypoker? O que agrada você e o que acha que poderia melhorar?
Gosto de jogar no partypoker e é a sala que mais tem ouvido os jogadores nos últimos tempos. Gostei muito de jogar torneios com o nome real, deixou o jogo mais interessante.

Você disse que jogar os torneios com nome real foi uma experiência mais interessante que o normal. Por que isso?Foi mais divertido reconhecer as pessoas que conheço do live, parecia uma mistura entre o jogo online e o ao vivo.

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